A empresa Meta é acusada de deixar jovens viciados em redes sociais, mas o encerramento do processo por meio de um acordo gerou forte contestação.

Arturo Béjar, ex-engenheiro de segurança da companhia e testemunha central do caso, afirmou que a resolução não combate as causas reais das denúncias.

“Este acordo pode simplesmente oficializar grande parte do ‘teatro da segurança’ que a Meta vem praticando nos últimos anos. O Instagram será usado um pouco menos, mas não será mais seguro”, afirmou o denunciante.

A declaração foi noticiada pela Reuters um dia após o anúncio da negociação, que ainda depende da homologação pela justiça dos Estados Unidos.

Por outro lado, a empresa liderada por Mark Zuckerberg alegou que o termo permitirá dar continuidade aos seus esforços históricos de apoio aos adolescentes e orientação aos pais.

Motivos pelos quais o acordo é considerado insuficiente

Na avaliação do ex-engenheiro, o pacto entre a empresa e os órgãos reguladores trata apenas os sintomas superficiais, deixando de lado o funcionamento intrínseco das plataformas.

Com isso, a arquitetura dos algoritmos que mantêm os jovens conectados não passará por transformações profundas.

Falhas apontadas no modelo adotado

  • O algoritmo permanece desenhado para capturar a atenção dos adolescentes e estender ao máximo o tempo de navegação.

  • Estabelecer limites temporais de uso não reduz o apelo e o engajamento desenhados pelo sistema.

  • Falta de órgãos e mecanismos de auditoria externa realmente independentes para monitorar as práticas.

  • Inexistência de métricas objetivas para avaliar se as medidas trarão redução efetiva nos danos causados aos menores.

A visão das autoridades e os desdobramentos internacionais

Apesar do tom crítico, autoridades locais enxergam avanços no desfecho judicial.

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, reconheceu que legisladores e a indústria ainda têm um longo trabalho pela frente, mas defendeu que a decisão trará mudanças práticas e cobráveis.

Mudanças previstas e impacto no Brasil

Para os usuários nos Estados Unidos, as novas regras preveem um teto diário de duas horas de navegação e o bloqueio de acessos durante a madrugada.

Também estão previstas a desativação do disparo automático de vídeos e a ocultação do número de curtidas e interações em perfis de adolescentes, ainda sem data oficial para entrarem em vigor.

Os desdobramentos da decisão americana começam a repercutir no cenário global e na regulamentação brasileira.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) confirmou que a Meta solicitou uma reunião com a autarquia logo após a divulgação da multa bilionária e do acordo firmado nos EUA.

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