
A recente ação de marketing do Instagram na porta de escolas em São Paulo gerou forte reação de pais e educadores. Representantes da empresa abordaram alunos na saída da Escola Gracinha sem o conhecimento ou autorização prévia da instituição.
A abordagem ocorreu minutos antes do término das aulas. Os promotores montaram uma estrutura para distribuir brindes e promover as ferramentas da plataforma voltadas aos jovens.
Gincana e distribuição de brindes na saída das aulas
De acordo com relatos de quem presenciou o evento, a equipe vestia camisas com a marca da rede social e utilizava banners informativos. A ação foi realizada em parceria com a Rádio Disney.
A movimentação rapidamente atraiu os estudantes, que formaram filas para participar das dinâmicas. A estrutura oferecia brindes em troca da participação na gincana promovida no local.
Ao notar a presença dos organizadores, a direção do colégio interveio imediatamente e solicitou a retirada da equipe. Os promotores, no entanto, apenas se deslocaram para o outro lado da rua e continuaram as abordagens.
A direção da escola relatou o impacto da abordagem em depoimento publicado pela newsletter Ctrl+Z:
“Não estavam abordando nenhum pai, era diretamente para os adolescentes. Foi muito ruim. Vemos isso com péssimos olhos, eles estavam quase dentro. Mas a escola reagiu rápido”
Divulgação das Contas de Adolescente e o contexto do ECA Digital
O objetivo principal do estande era divulgar a chamada “Conta de Adolescente”. O painel principal trazia a mensagem: “Proteções automáticas para adolescentes, tranquilidade para os pais”.
Esse modelo de conta é voltado para usuários entre 13 e 17 anos. Ele inclui restrições automáticas de privacidade, limites de tempo e mecanismos de supervisão parental.
A abordagem levantou discussões sobre o alinhamento da campanha com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A legislação exige regras rígidas de proteção, verificação de idade e responsabilização das plataformas.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) foi questionado sobre a legalidade desse tipo de ação na porta de estabelecimentos de ensino, mas ainda não se pronunciou sobre o tema.
Reação das instituições de ensino afetadas
A direção da Escola Gracinha reforçou que não recebeu nenhum aviso ou pedido de autorização para a realização do evento.
Em nota enviada à imprensa, a instituição esclareceu a situação:
“A escola não foi consultada previamente nem recebeu qualquer comunicação sobre a realização da ação. Assim que tomou conhecimento da ação, a direção foi até os promotores para solicitar que deixassem o local. A escola manifestou que não havia autorizado a abordagem”
Outras instituições tradicionais da capital paulista, como o Colégio Santa Cruz e o Colégio Oswald de Andrade, também registraram ações semelhantes em suas imediações sem aviso prévio.
Posição oficial da Meta sobre o caso
Em resposta aos questionamentos, a Meta defendeu a legitimidade da iniciativa. A empresa afirmou que o evento faz parte de um esforço educativo contínuo e que está em conformidade com as exigências legais.
Leia o posicionamento oficial da empresa:
“A ação em questão faz parte de uma campanha educativa mais ampla da Meta sobre as proteções das Contas de Adolescente do Instagram, como restrições de contato por desconhecidos, controle de tempo de uso e configurações de privacidade mais rígidas por padrão. Iniciativas como essa estão previstas no ECA Digital, ao estabelecer que plataformas promovam a educação quanto ao uso seguro de seus serviços”