O debate, intitulado “IA & Educação – a grande oportunidade para a juventude brasileira”, contou com a participação das especialistas Cláudia Costin, ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, e Priscila Cruz, da organização Todos pela Educação, com mediação de Felipe Amaral, diretor do Campus Caldeira. O foco da discussão foi a urgência de manter a educação como prioridade nas políticas e iniciativas.
A educação como prioridade nacional
As especialistas concordaram que o Brasil enfrenta desafios educacionais consideráveis, resultado, em parte, do atraso na ampliação do acesso ao Ensino Fundamental, que só ocorreu de forma significativa na primeira década do século XXI. Esse histórico ainda se reflete na situação atual.
Os desafios e a necessidade de consenso
Cláudia Costin ressaltou que, por ser a nona economia do mundo, o Brasil tem condições de elevar a educação ao status de prioridade máxima. Para ela, é fundamental mudar a lógica social em torno do tema, consolidando o entendimento de que a educação de qualidade é um direito de toda criança e adolescente, independentemente de sua origem familiar.
Segundo a ex-diretora do Banco Mundial, a solução passa pela criação de um consenso social que priorize a qualidade educacional e a valorização profissional dos professores.
Superando o complexo de vira-lata
Priscila Cruz, especialista em educação básica pública, enfatizou a necessidade de o país estabelecer um objetivo de nação claro na área educacional. O primeiro passo, segundo ela, é eliminar o “sentimento de vira-lata” que leva muitos brasileiros a duvidarem da capacidade nacional de oferecer uma educação pública de alto nível.
Ela defendeu a expansão da educação integral e alertou contra a redução de recursos para a área. “Não tem mágica. Tem que ter mais professores, mais espaços. Enquanto a gente não quase universalizar (o ensino), não entrem na conversa de que a gente pode diminuir o recurso para a educação. Não dá para reduzir porque tem muita coisa para fazer ainda”, afirmou.
O papel da inteligência artificial na educação
A chegada da inteligência artificial (IA) representa, para os especialistas, tanto um desafio quanto uma oportunidade nas escolas. É crucial implementar aulas mais dialógicas, com metodologias ativas, e garantir a formação adequada tanto para alunos quanto para educadores.
IA como ferramenta de apoio ao professor
Cláudia Costin vê a IA como uma poderosa ferramenta de apoio aos educadores. A tecnologia pode auxiliar na elaboração de planos de aula, na correção de trabalhos e na aprendizagem adaptativa, identificando exatamente o que cada aluno não está assimilando. A visão é usar a tecnologia para servir à aprendizagem, e não para substituir os profissionais.
IA como copiloto, não substituta
Priscila Cruz complementou que a tecnologia não deve “terceirizar a cognição”, que é uma característica humana. O uso inteligente da IA, na visão dela, é tratá-la como um “copiloto” do professor, auxiliando nas tarefas operacionais e rotineiras do trabalho pedagógico.
O sucesso da Semana Caldeira
A Semana Caldeira, evento dedicado à inovação, foi considerada um sucesso. Ao longo de cinco dias de programação, o evento atraiu uma média diária de 3 mil pessoas, totalizando uma estimativa de 16 mil visitantes, incluindo empresários, gestores públicos, estudantes e entusiastas de tecnologia.
O diretor do Campus Caldeira, Felipe Amaral, destacou a importância de um evento gratuito que promoveu diversos painéis sobre educação, novas gerações e a influência da tecnologia.
Carolina Cavalheiro, diretora de negócios e gestão de comunidade do Instituto Caldeira, ressaltou que o principal sucesso foi a conexão da rede e a profundidade e diversidade dos conteúdos. O balanço foi positivo, com mais de 2,5 mil conexões feitas no aplicativo do evento, indicando a geração de bons negócios e insights.
Além da alta participação e riqueza dos debates, a edição de 2024 simbolizou a retomada de um ponto estratégico do 4º Distrito de Porto Alegre, que havia sido severamente afetado pela enchente de 2024.